Epitáfio – Olympia Cione Fiorilo

Minha mãe, aos 88 anos, realizou sua última travessia na vida na quarta-feira.

Ao longo desses anos, ela fez várias travessias importantes: filha de pai italiano e mãe mulata (essa é uma outra história), deixou o trabalho na lavoura para morar com a família em Araraquara.

Mulher determinada, fez o curso de Corte e Costura (o diploma continua pendurado na parede) e se formou professora para ministrar aulas de costura em um salão improvisado nos fundos de casa, todas as noites. A profissão garantia o extra para ajudar no orçamento da casa e a diferenciava das outras irmãs, que eram “do lar”.

Depois, veio o matrimônio com Paulo Fiorilo, funcionário público municipal e filho de calabrês. Desse enlace, nasceram dois filhos homens: meu irmão Sílvio e eu. E ela nos educou da melhor forma possível, mesmo com os limites de uma família de baixa renda do interior paulista.

Na condução da casa e da família, ela assumiu o papel de mãe e pai, enfrentando os desafios na condução da rotina doméstica e os cuidados com os filhos, além do trabalho como professora.

Seu grande desafio era nos ver formados, principalmente depois de ouvir de um vendedor da Barsa que seus filhos iam crescer burros porque ela não havia comprado a famosa enciclopédia. O problema era orçamentário: caso comprasse as obras, faltaria dinheiro para as necessidades mais básicas.

Mais tarde, conheceu a viuvez e, com ela, a necessidade de mudar os hábitos e se aproximar mais de outras pessoas, pois as irmãs também já haviam partido.

Anos depois, ganhou um neto e atravessou para o time das vovós. Dona Olympia virou Vovó Limpinha, segundo Lorenzo.

Ela tinha muitos sonhos. Alguns foram ficando pelo longo caminho que percorreu. O mais importante era estudar em São Paulo para fazer especialização em moda. Não deu tempo.

Mulher forte, de pouco estudo, mas com forte capacidade de decisão.

Agora, ela decidiu atravessar para a outra margem do rio e nos deixará com a sua mais bela imagem de mulher, mãe e avó. E com muitas saudades.

Quero agradecer a todos e todas pelas mensagens, ligações, pensamentos e orações destinados a confortar a mim e minha família nestes últimos dias.

Muito obrigado.

Paulo Fiorilo

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